Brasil fecha 2018 com 12,1 mi sem trabalho

Além disso, as quedas na taxa geral de desemprego refletem movimento que foi contínuo ao longo de 2018, com as novas ocupações surgindo principalmente do mercado informal.

O recuo lento do contingente de desocupados e um universo amplo de pessoas em ocupações precárias despertam temores entre analistas de que, para muitos trabalhadores, o desemprego deixe de ser uma condição temporária e passe a ser um problema crônico– algo que afetaria negativamente a economia como um todo.

O desemprego de longa duração, que considera as pessoas desocupadas há mais de 1 ano, estava, no fim de setembro, em 4,8% da força de trabalho, segundo dados mais recentes do IBGE. O percentual está ao redor desse nível desde 2017, bem acima da média de 2,4% entre 2012 e 2014. O número responde diretamente à lenta recuperação do mercado de trabalho.

Os dados divulgados ontem mostram que o desemprego no Brasil fechou 2018 estável ante 2017, atingindo 12,1 milhões. No total, o país encerrou o ano com 27 milhões de pessoas entre desocupados, aqueles que trabalham menos horas do que gostariam ou que estavam disponíveis para trabalhar, além de 4,7 milhões de deselentados (que desistiram de  procurar trabalho) – ambos no maior nível da série.

Para analistas, o quadro todo preocupa, ao afetar a empregabilidade e reintegração no mercado de trabalho. Além da preocupação quanto ao bem-estar dos indivíduos em condição tão precária, há o receio de que parte dessa alta de desemprego decorrente do ciclo recessivo recente se traduza em alta de desemprego estrutural , diz Rafael Bacciotti, analista da IFI (Instituição Fiscal Independente), do Senado. “À pessoa que fica muito tempo fora do mercado de trabalho pode ficar mais difícil voltar e o que era uma situação temporária pode se tornar crônica.”

Fonte: Folha De S.Paulo

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