Conatig realça conquista do voto e presença da mulher na política

Depois de lançada na semana passada a campanha da Conatig sobre a participação das mulheres na eleição, a fim de estimular as profissionais gráficas a votarem nas eleições gerais de outubro em mulheres políticas comprometidas socialmente com o interesse da classe trabalhadora, a Coordenadoria Feminina da Conatig aponta hoje para a importância do direito à conquista do voto pelas mulheres no Brasil, bem como o direito e participação feminina na política. O tema é a primeira de uma série de três matérias. O objetivo é chamar a atenção da mulher para a pauta, pois é vital para estimular que as mulheres deixem de ser minoria nestes espaços, visando mudar o atual cenário de várias formas de violências.

“Em um contexto onde o eleitorado brasileiro é formado por mulheres (52,50%), mas ainda são minorias nos Poderes Executivo e Legislativo e nos partidos políticos, vimos a necessidade de relembrar o segmento feminino da categoria sobre as grandes lutas femininas para a conquista do voto da mulher e a participação nestes espaços”, diz Lidiane Araújo, integrante da referida Coordenadoria da Conatig. Já na segunda matéria abordaremos sobre a primeira mulher presidenta do país; e depois sobre  as eleições 2018 e necessidade da vitória de candidatas comprometidas com o combate ao racismo, sexismo e toda a gama de discriminação, preconceito e violências domésticas e no local de trabalho.

Mulher, valorize a sua escolha. O primeiro voto da mulher só ocorreu no país em 24 de fevereiro de 1932 no governo Vargas, após muitos anos de luta. E só aconteceu após uma intensa campanha nacional. O direito da mulher votar e de ser eleita para cargos no Executivo e Legislativo foi uma bandeira antiga, que remonta desde a Proclamação da República. Apesar desta conquista ao voto, só em 1934 que caiu a necessidade da permissão do marido para que as mulheres casadas pudessem votar e às viúvas e solteiras terem renda própria. Mas ainda assim, só o homem era obrigado a votar. Só em 1946, tornou-se obrigatório para a mulher.

A professora potiguar Celina Guimarães Viana foi a primeira mulher a votar no Brasil. Ela aproveitou uma brecha em uma lei eleitoral anterior ao código de 1932. Votou aos 29 anos no ano de 1928, aproveitando do pioneirismo do Rio Grande do Norte sobre a regulamentação do sistema eleitoral, onde acrescentou a participação sem a ‘distinção de sexo’. O voto de Celina ficou famoso no mundo. Porém, a Comissão de Poderes do Senado não aceitou o voto dela. Apesar disso, a luta começou e a ação da professora marcou a inserção da mulher na política eleitoral.

Vem do RN outro fato importante desta luta em 1928, cinco anos antes do primeiro Código Eleitoral Brasileiro que incluiu as mulheres. Estava sendo eleita a primeira mulher. A fazendeira Alzira Soriano de Souza foi eleita prefeita da cidade sertaneja de Lajes/RN. Porém, a Comissão de Poderes do Senado impediu a sua posse e anulou os votos femininos. Alegou que eles não valeram porque a participação só ocorreu devido a intervenção do candidato a presidente da província, Juvenal Lamartine.

Contudo, a luta da mulher pelo voto e na política não ia mais parar. Em 1933, foi eleita e tomou posse a 1ª mulher deputada federal brasileira, a médica, escritora e pedagoga Carlota Pereira de Queirós. A parlamentar atuou nos trabalhos na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935. Enquanto médica e política, organizou um grupo de 700 mulheres e junto com a Cruz Vermelha deu assistência a centenas de feridos que chegavam das guerras. Depois, em 1950, fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas. Ela e outras mulheres foram bravas guerreiras.

“O fato é que o direito ao voto feminino, de se candidatar e de ser eleita foram conquistados com lutas históricas de longa duração com mulheres desbravadoras que lideraram as primeiras conquistas e mostraram que lugar de mulher é também nos centros de decisão do país”, frisa o grupo de sindicalistas gráficas pertencentes à Coordenadoria da Conatig. E, acrescenta, portanto, que hoje não cabe essa história de que o papel da mulher é só como esposa, mãe e dona de casa e outros preconceitos. Isso é coisa do passado, é atrasado, fez parte longo do passado e não é coerente continuar frente o significativamente avanço do protagonismo da mulher na sociedade. Mas, a discriminação ainda perdura, o que faz com que a mulher precise seguir lutando por seus direitos. A batalha é e ainda será grande, mas, sem dúvida, o avanço dependerá da ocupação de espaços de poder da sociedade, com destaque nas esferas políticas.

Fonte: CONATIG

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