Proposta de reforma é demolição da Previdência Pública, diz Dieese


Miguel: “Devemos alertar quanto aos impactos desta reforma na vida dos brasileiros, especialmente os mais humildes” / Foto: Arquivo

Idade mínima, transição e principalmente o tempo de contribuição praticamente inviabilizam acesso à aposentadorias para uma população que convive cada vez mais com trabalho precário e desemprego, aponta o economista Fausto Augusto Júnior, coordenador de Educação do Dieese.

Caso a reforma da Previdência do governo Bolsonaro seja aprovada, dificilmente os trabalhadores conseguirão o valor integral das aposentadorias, a conclusão foi apresentada na manhã desta quinta-feira (28), na sede da Força Sindical, em São Paulo, à sindicalistas que participaram de uma palestra sobre os impactos da reforma da Previdência apresentada pelo governo, ministrada pelo economista do Dieese.

Fausto alerta que, se o Congresso aprovar a proposta de reforma da Previdência do jeito que esta, as regras previdenciárias para que os trabalhadores e as trabalhadoras garantam o benefício serão retiradas da constituição brasileira. “Esta é a mudança fundamental que está em debate, pois uma vez aprovada desta forma, os próximos governos poderão fazer mudanças na previdência com mais facilidade sem que tenha a necessidade de um amplo debate envolvendo todos os setores da sociedade sobre o tema.”

O economista ressaltou que a reforma atinge a todos os trabalhadores e trabalhadoras, restringindo e retardando o acesso à aposentadoria e diminuindo consideravelmente o valor dos benefícios. “A dita ‘nova’ Previdência, acaba com a aposentadoria por tempo de contribuição e aproxima as regras para homens e mulheres; trabalhadores rurais e urbanos e trabalhadores do setor público e privado”, explica.

O governo tem claramente uma estratégia de comunicação e de debate que traz como proposta a ideia de que está sendo criada uma ‘nova previdência’ que vai garantir o futuro das próximas gerações, o que sabemos que não é verdade, já que está proposta vai dificultar a cada ano o acesso a Previdência Social.

Mobilização dos trabalhadores

O deputado federal e presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, alertou que neste momento o movimento sindical deve não só mobilizar as bases, mas fazer uma campanha junto aos parlamentares para sensibilizar os deputados quanto aos prejuízos que brasileiros terão se a reforma for aprovada da forma que foi apresentada. “O corpo a corpo com os deputados deve ser decisivo para impedir a aprovação desta proposta”.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, reforçou a mobilização nacional convocada para o dia 22 de março pelas centrais sindicais CUT, CTB, Força Sindical, Intersindical e CSP-Conlutas com o objetivo de intensificar a luta contra a “reforma” da Previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro. “Somos totalmente contrários e não aceitaremos esta proposta que só prejudica os trabalhadores menos favorecidos economicamente”.

Torres destacou que o momento é de o movimento sindical estar unido e conclamar os movimentos sociais para ir as ruas e esclarecer a sociedade. “Nosso dever é buscar alternativas para esta proposta e alertar quanto aos impactos desta reforma na vida dos brasileiros, especialmente os mais humildes.”

João Carlos Gonçalves (Juruna), secretário geral da Força Sindical, ressaltou que para o movimento sindical ter mais peso nas discussões em torno da reforma da Previdência e enfrentar a luta no Congresso deve garantir ações unificada. “Devemos trabalhar cada vez mais alternativas para uma reforma da Previdência que seja justa, igualitária e sem privilégios.”

Entre as ações unitárias que as centrais sindicais irão realizar, Juruna destacou, uma apresentação sobre os impactos da reforma junto à sociedade em todo Brasil, para esclarecer a sociedade; calculadora para simular a aposentadoria que será lançada pelo Dieese; notas técnicas sobre os prejuízos que a reforma vai causar às mulheres.

Fonte: Rádio Peão Brasil

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