Sindigráficos reúne entidades para debater desenvolvimento e fortalece chamado à renovação das estratégias sindicais
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica de Barueri e Região sediou, em 29 de outubro, uma importante reunião regional convocada pela Força Sindical São Paulo para debater propostas de desenvolvimento para a região de Osasco. O encontro, realizado na sede da entidade, reuniu representantes de diversas organizações, como Força Sindical-SP, CUT, OAB Osasco, Sindimetal, Intersindical, Ferroviários e Frentistas de Osasco, além de lideranças políticas, acadêmicas e do movimento sindical.
A programação contou com apresentações de especialistas do CIOEST, UNIFESP e DIEESE, trazendo análises sobre economia, planejamento regional e desafios do desenvolvimento nos municípios do Oeste da Grande São Paulo. O debate reforçou a necessidade de integrar políticas públicas, desenvolvimento econômico e protagonismo social para ampliar oportunidades e fortalecer direitos na região.

“O sindicalismo precisa se reconectar com a sociedade”, afirma Mineiro
Na abertura do evento, o presidente do Sindigráficos, Aurelino Pereira da Silva, o Mineiro, destacou a urgência de repensar o papel e as estratégias do movimento sindical diante das transformações sociais e tecnológicas das últimas décadas.
Segundo ele, desde as manifestações de 2013, quando estudantes paulistanos tomaram as ruas contra o aumento da tarifa de ônibus, o movimento sindical perdeu protagonismo na mobilização social.
“O sindicalismo vem perdendo o protagonismo desde 2013. Não conseguimos mobilizar a classe trabalhadora para evitar a aprovação da terceirização, da reforma trabalhista e da reforma previdenciária. O sindicato parou no tempo”, afirmou.
Mineiro reforçou que, enquanto a militância tradicional ainda se apoia no corpo a corpo nas portas das empresas e em grupos de WhatsApp limitados, a juventude domina as mídias sociais e alcança milhões.
“O papel de mobilizar as pessoas mudou de mão. Hoje, quem leva gente às ruas é quem domina as redes. Precisamos atualizar nossas formas de comunicação e atuação.”
Ele também criticou o esvaziamento de pautas importantes após conquistas parciais, citando o debate sobre a isenção do IRPF até R$ 5 mil, que perdeu força junto ao fim da proposta de escala 6×1. Para o dirigente, o papel sindical vai além das campanhas salariais:
“A ação sindical não se resume ao chão de fábrica. É obrigação discutir políticas públicas onde estivermos — na empresa, no ônibus, na igreja, na família. Não importa se falamos com mil pessoas ou com uma: o importante é passar a mensagem.”
Compromisso com o futuro
Ao final do encontro, as entidades reforçaram o compromisso de construir ações conjuntas e fortalecer a atuação sindical integrada a universidades, órgãos públicos e movimentos sociais, entendendo que o futuro da representação trabalhista passa pela inovação, pela comunicação digital e pela retomada do diálogo direto com a sociedade.








